Ressurreição

Pois é, tô pensando nisso.

E também tô pensando nisto, embora eu deteste os apelidos dados às sinfonias de Mahler:

Roman blogging lessons: Sic semper tyrannis!

Este blog está considerando utilizar as sapientíssimas lições de blogagem dos antigos romanos para aumentar a audiência:

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E daí que não escrevo há anos? O que importa é muster legions!

Falando em “notas que só cães podem ouvir”…

Esta cantata explora muito bem a soprano (nos dois sentidos), mas, como é Bach, fica extremamente agradável!

Menos para a infeliz da solista, é claro!

Só tenho pena da soprano que teve de cantar nesse tempo absurdo. Acho que é o mais rápido que já (ou)vi.

Heavy Metal, Dogbert style

 

Fonte: http://dilbert.com/dyn/str_strip/000000000/00000000/0000000/000000/40000/0000/100/40146/40146.strip.zoom.gif

Realmente, algumas cantoras atingem notas que só cães conseguem ouvir!

http://www.youtube.com/watch?v=XPv3xZ21pYc

Quanto mais chato, melhor!

Tenho uma opinião muito particular sobre música e literatura modernas – artes em que me sinto competente o bastante para dar pitacos aleatórios: parece-me que, na virada do século XX e até hoje, a palavra de ordem é: “Quanto mais chato e incompreensível, mais superior é uma obra”. Joyce, Woolf, Schönberg e Berg parecem-me ótimos exemplos. Creio que o velho Machadão fez tanto quanto os modernosos do século XX, só que de um jeito muito mais gostoso, sem precisar ser chato.

Aliás, a crítica literária e musical parece elevar a imensos patamares exatamente aqueles caras mais impossíveis de entender. E se alguém ousa reclamar, é tachado de ignorante, incompreensivo, de alguém que “ainda” não entendeu a profundidade dessas coisas.

Sempre desconfiei que houvesse um quê de “o rei está nu” nessas coisas. Quer dizer, no fundo, o crítico também acha aquilo um baita dum porre, mas precisa dar uma de fodão e falar que aquilo é genial, nós é que não estamos à altura de entender.

Daí, ninguém menos que o mega super power fodão Moz, popularmente conhecido como Wolfgang Amadeus Mozart, me vem com esta:

“Para ganhar aplauso, é necessário escrever coisas ou tão insossas que qualquer cocheiro consegue cantar, ou tão initeligíveis que nenhum homem sensível é capaz de entender.”
(Fonte: gloriosa Wikipedia)

Pois é. Então, essa impostura de “quanto mais incompreensível, mais profundo” não é de hoje… Parece ser razoavelmente antiga.

Isso me deu uma boa aliviada. Costumeiramente faço exercícios de adentrar a arte moderna, especialmente a música: “caço” compositores aleatoriamente em lojas e no PQP Bach e faço um compromisso de obrigar-me a ouvir umas 3 ou 4 vezes cada obra antes de dizer que ela é chata. Tenho o privilégio de orbitar a Osesp, que sempre faz encomendas de obras novas, que, para a tristeza dos meus ouvidos, sempre me forço a ouvi-las.

Mas, bem, em 99% dos casos, as obras modernas continuam chatas após umas 10 audições. Então devem ser chatas mesmo. E a observação de Mozart, atestando a antigüidade da impostura do “quanto pior, melhor”, me faz me sentir muito mais à vontade para acusar: “O rei está nu! E é chato pra burro!”

Uma coisa triste que “oubservo” é que freqüentemente elas têm 4 ou 5 minutos muito legais, imersos no meio de 60 e tantos da mais pura e modorrenta chatice. Tenho impressão parecida com a referida literatura moderna da virada do século XX – algumas sacadas geniais imersas em milhares de páginas de chatice heideggeriana. No fim das contas, não vale o esforço.

Os escritores e músicos modernos deviam aprender essa lição – parar de fazer coisas chatas e incompreensíveis para impressionar apenas o seu círculo restrito, mandando os pobres mortais à PQP. Ou ao PQP (Bach), do que eu não reclamaria. Acho que, no fundo, é porque é difícil fazer coisas agradáveis. É bem mais fácil fazer uma cacofonia sonora enterrada numa orquestra gigantesca (para impressionar) e deopis chamar os críticos de burros, despreparados, passadistas e preconceituosos contra a música moderna.

Dilma está me vingando ou não?

Pois é, Teerã deixou claro que está com saudades de Lula. Estou rindo à toa. Por quê?

Não sou simpático ao regime ditatorial e teocrático de Khameini, Ahmadinejad etc. Mas outra coisa também me revolta: ver pessoas supostamente de “esquerda” defendendo esses facínoras. Ninguém admite, mas a única razão é que esses facínoras específicos falam mal dos Estados Unidos.

Tenho absoluta certeza de que, se Ahmadinejad fizesse as mesmas coisas que faz hoje, mas inserisse isso num discurso pró-Washington, muitas das mesmas pessoas que hoje o defendem estariam a tacar-lhe pedras loucamente.

Não podemos ser cegos de apoiar ou criticar regimes políticos exclusivamente em função do alinhamento aos Estados Unidos. Os EUA, com todos os seus defeitos, não são o mal absoluto. Estão muito longe disso, embora até tentem algumas aproximações. No plano discursivo, quem está realmente perto do mal absoluto é o próprio Ahmadinejad, com sua retórica de negar o Holocausto.

Afinal, dada a escolha, estou certo de que essas pessoas prefeririam morar nos EUA a morar no Irã. Se não preferissem, deveriam, pois, até onde sei, no Irã atual, lugar de comunista é no paredão. Nos Estados Unidos… bem, é a universidade. Afina, o próprio Idelber Avelar brinca dizendo que o melhor lugar do mundo para estudar marxismo são os próprios EUA.

Se fosse Israel que tivesse dito que almeja “varrer a Palestina do mapa”, duvide-o-dó que haveria um único diplomata brasileiro dizendo “tadinho, Israel foi mal compreendido pelo ocidente quando disse isso… não que eu esteja defendendo…”

“A verdade é que amar é glorioso”

A esta altura do campeonato, até eu já estou sabendo do que ocorreu no Big Brother: estupro, puro e simples.

Não vou repetir a mesma (e verdadeira) ladainha: o programa é horroroso, existe praticamente um contrato de fornecimento de capas para a playboy, torna a invasão de privacidade um valor altamente desejável, é uma perigosa implementação dos mecanismos de controle de 1984 (a começar pelo próprio nome) etc. etc. etc. e tal.

Mas no momento em que a emissora decide acobertar o estupro, com direito a um asqueroso “o amor é lindo”, o BBB deixa de ser uma coisa “fútil” e “com a qual não deveríamos perder tempo”, como disse um comentarista no Blog da Morango. Passa a ser um problema geral. Temos 1) uma emissora enorme e altamente capilarizada e com notória influência formadora de opinião 2) expondo um estupro. E ainda, 3) a edição das cenas bota a culpa na mulher, 4) coroado com o “amor é lindo”, típica inversão à 1984.

Ou seja, uma enorme emissora difundindo, capilarizadamente, que estupros só são condenáveis se forem escondidos (e olhe lá), e, bem, a culpa é da mulher mesmo. O efeito multiplicador imediato disso é muito perigoso. O efeito contra-educativo no longo prazo, então, maior ainda. Consigo até imaginar a capa da Veja da próxima semana: “A verdade é que amar é glorioso”, elogiando as conquistas comportamentais femininas, mostrando fotos da Monique divertindo-se e “pedindo” e mostrando que ela conseguiu pegar um gatão da casa…

Assim, ainda que marginalmente, engrosso o coro de repúdio ao estupro e ao seu acobertamento, clamando pela devida investigação criminal. O começo disso é informar a Monique do que realmente aconteceu, pois, vejam só: o fato de o estupro ser crime de ação privada, medida de proteção da privacidade da vítima, acaba condicionando a apuração a uma iniciativa de alguém que, a essa altura, está cuidadosamente desinformada do que aconteceu…

*******************************UPDATE*******************************

O dito cujo foi expulso do programa, embora com total abafamento e omissão a respeito dos motivos. Fico me perguntando se essa proteção toda não se deve ao fato de que Daniel ser muito interessante para o posicionamento da Globo sobre cotas, afinal, é negro e é contra. O MP do Rio de Janeiro iniciou uma apuração, com uma linha que eu imaginava, mas da qual não tinha certeza: embora, em regra, o estupro seja crime que dependa de iniciativa da vítima (crime de ação privada), nos casos de estupro de vulnerável, a ação passa a não depender da vítima (crime de ação pública). A justificativa é que, em havendo violência (além da que o estupro já implica), o interesse da sociedade de punir a conduta pesa mais do que o desejo de privacidade da vítima. Vamos ver no que dá.


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