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Famosos Desconhecidos 2: Joaquin Rodrigo

Eu tenho certeza de que você já ouviu esta melodia, mesmo sem nem saber quem é você:

Essa espetacular melodia, delicadamente trabalhada em cada cantinho da orquestra para dar ainda mais frio na espinha, é uma pérola do compositor espanhol Joaquin Rodrigo (1901-1999). Trata-se do 2º movimento, marcado “adagio”, do seu famosíssimo concerto para violão, chamado Concierto de Aranjuez, escrito em 1939. O concerto procura caracterizar musicalmente a cidade de Aranjuez, ao sul de Madri, Espanha.

Duas coisas que achei impressionante quando li mais sobre esse concerto foram:

1) Rodrigo era praticamente cego de nascença, e, ainda assim, era um pianista muito habilidoso.

2) Para os padrões da música erudita, o concerto é super hiper mega recente. Ainda mais se considerarmos que, em 1939, fazer música bonita estava fora de cogitação. Já tinha vigência a horrorosa lei segundo a qual quando mais inaudível a música, maior sua “qualidade”.

E uma curiosidade: eu mesmo só fui ouvir essa melodia pela primeira vez numa gravação (de origem duvidosa, aliás) de uma apresentação dos deuses John McLaughlin e Paco de Lucia, em que executavam uma música chamada Spain. Trata-se de um longo e (óbvio) virtuosístico improviso a dois violões sobre essa melodia. E a segunda vez foi graças ao Chick Corea, que trabalhou o tema na loooonga obra também chamada Spain.

Como estou com preguiça de escrever extremamente ocupado com questões da mais alta importância nacional, paro por aqui, com a sugestão de uma visita ao site oficial de Joaquin Rodrigo, site que é excepcionalmente bem organizado e arrumadinho. E, por favor, não deixem de ouvir o concerto inteiro. Vale muito a pena.

Mas cabe explicar porque escolhi Rodrigo como a seqüência: é que no “Famosos Desconhecidos” anterior, eu comentara com o Brandizzi que um pedaço da melodia do concerto de Khachaturian me lembrava essa melodia manjada de Joaquin Rodrigo.

Ah, sim, estou de volta. Eu acho.

23 aninhos!

Este blog parece ter uma predileção quase obscena por aniversários. Mas este é importante. Faz 23 anos que a atual Constituição brasileira vige.

Pensemos em quanto tempo durou a ditadura: numa perspectiva “pessimista”, foi de 1964 (golpe) até 1988 (promulgação da Constituição). Podemos até reduzir um pouco se considerarmos a formação da Assembléia Constituinte. Ou seja, uns 24 anos.

Comparando os números, significa que a atual democracia tem menos anos do que o Brasil teve de ditadura – pelo menos da mais recente. Por isso, faço questão de comemorar cada ano que passamos num regime democrático. Sim, imperfeito e ainda com fortes tendências autoritárias, mas ainda democrático.

Piadas antroplógicas infames

Por que Lévi-Strauss atravessou a rua?
Para etnografar o outro lado.

Por que Boas atravessou a rua?
Para caçar salmão.
Variantes: 1) Para combater o racismo do outro lado; 2) Para caçar focas.

Por que Malinowski atravessou a rua?
Para trocar braceletes por colares.

Por que Leach atravessou a rua?
Para se tornar gumsa. Ou gumlao. Ou gumsa. Ou gumlao.

Por que Mary Douglas atravessou a rua?
Para entrar em contato com o outro lado e, assim, superar ritualmente o perigo que ele representava, incorporando-o ao sistema.

Por que Evans-Pritchard atravessou a rua?
Estava indo da aldeia para o acampamento.

Por que Mauss atravessou a rua?
Para retribuir a visita de Durkheim.

E por que então Durkheim tinha atravessado a rua?
Porque do lado de cá tem anomia.

Por que Barth atravessou a rua?
Para atravessar a fronteira étnica.

Por que Viveiros de Castro atravessou a rua?
Porque é lá que tem índio de verdade.

Por que Sahlins atravessou a rua?
Na verdade, ele pretendia voltar e atravessar de volta a rua, para então ser ritualmente morto pelos habitantes de cá, que não podiam tolerar o retorno do mesmo antropólogo que já tinha etnografado o local.

Por que Manuela Carneiro da Cunha atravessou a rua?
Para definir o que era etnia.

Por que Bourdieu atravessou a rua?
Por habitus.

E por que o antropólogo atravessou a rua??
Para chegar ao campo.

Mas por que a galinha atravessou a rua?
42.

**************************UPDATE**************************

Faltou dizer algumas coisinhas:

É bom dar nome aos bois. Tive ajuda da Adriana e do respectivo para as piadas. Ela inventou a de Durkheim e da Manuela, e o Marcelo inventou a do Bourdiei e a sensacional montagem lá de cima.

Aliás, contribuições são mais do que bem-vindas. Por exemplo, já adaptei a sensacional sugestão do vtYojr, e, inspirado por este, acrescentei a a da galinha.

******** UPDATE 2**************

Por que Lévi-Strauss atravessou a rua?
Porque suas fichas multidimensionais dos mitos nhambiquara não cabiam deste lado.

Argh!!!

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,aldo-rebelo-lanca-candidatura-a-ministro-do-tcu,757416,0.htm

E pensar que o concurso para auditor do TCU (o indivíduo que eventualmente substitui o ministro) é um dos mais fodanticamente difíceis dos que existem…

Como os compositores concebem Deus

Palestrina: O chefe do chefe.

Bach: Um Ser bastante imperscrutável, mas que sabemos ser ecumênico e gostar de música. A boa composição é uma forma de louvá-Lo.

Haydn: Divertido e saltitante, ocasionalmente sombrio.

Mozart: Saltitante e saltitante, ocasionalmente mais saltitante ainda, mas às vezes meio duro, frio e com voz grave.

Beethoven: Um rival à altura, embora inferior.

Brahms: Hã? Quem?

Schumann: Deus, ou a deidade, manifesta-se de muitas formas; ora, sendo a música uma forma, ainda que com conteúdo, não pode deixar de ser imprescindível reconhecer que a deidade, ou Deus, está, ou estão, na música. Na verdade, precede a música, pois, se criou a realidade e a música, inquestionavelmente, existe, Deus criou a música. Ou seja e mais ainda, Deus é a própria música. Ele nos inspira a compor; no caso de Beethoven, inspirou-o a compor as mais belas e majestosas obras que a humanidade já criou. (Etc., etc., etc., etc., etc.)

Wagner: Eu mesmo!

Schönberg: Eu mesmo!

Strauss: Deve ser o amigo invisível daquele chato do Hoffmansthal.

Vaughan Williams: O cara que inspirou muita gente a escrever uns textos legais de pôr em música.

Shostakovich: O desgraçado responsável por manter Stálin vivo.

Pärt: plom…. plöm… plöm…. plam, plim; plim… plom; plam; plom; plum…

 

(Obs.: Ganha um café quem sacar primeiro a referência a Arvo Pärt.)

Solidariedade à Noruega

 

(Obs.: Se alguém souber de algum ato/manifestação/marcha anti-nazista e/ou em apoio à Noruega, favor avisar na caixa de comentários.)

Yet another stupid anthropological joke

I always knew “Bronislaw” was just an encription for “Brother”


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