Consciência política 2 – Democracia e fiscalização

 

 De fato, não adianta só votar na pessoa. Democracia não é ir às urnas a cada 2 anos. Os controles internos e externos não são totalmente eficientes, como o comprova o fato de a corrupção no Brasil ser sistêmica. Creio que, depois do Mensalão, ninguém mais duvida disso – isso é, a coisa está tão entranhada que não é uma troca de presidente que vai mudar as coisas.

Nós podemos fazer nossa parte cobrando de nossos candidatos. Cobrando mesmo. Diretamente. Seja mandando e-mails, cartas, comparecendo a reuniões do partido para manifestar o descontentamento, ou até marcando uma reunião pessoal com o sujeito.

“Ah, mas e se ele for um almofadinha que se recusa a me receber?”

É sorte dentro do azar, principalmente se for do Legislativo. Significa que você já não vai votar nele nas próximas eleições. Se você sofrer isso, espalhe para todo mundo que o seu vereador ou deputado se recusou a receber o próprio eleitor, trabalhando mais para si próprio do que para o povo que deveria representar.

Quando digo isso a meus amigos e colegas, invariavelmente ouço: “Mas não vai adiantar, ou vai adiantar muito pouco.” Pois é. Mas não é por isso que não podemos tentar. Não é por isso que vamos desistir de fiscalizar aqueles A QUEM DEMOS  A PORRA DO NOSSO VOTO. E esse tipo de conformismo pode dar margem a um comportamento hipócrita do tipo: “Não vou me dar ao trabalho de cobrar meu candidato porque não adianta. E, se ele aprontar, vou ficar reclamando na minha mesa de jantar, porque nada do que eu ia fazer ia adiantar mesmo.” A tentação de fazer isso é grande. E, como a tentação é grande, muita gente faz. Como muita gente faz, pouca gente efetivamente fiscaliza.

Um jeito de fiscalizar é fazer como recomendei anteriormente: escolher um candidato com propostas específicas. Assim, fica muito mais fácil cobrar o sujeito. Por exemplo, uma coisa é dizer “vou lutar pela inclusão dos portadores de deficiência”. Outra é dizer: “Encaminharei projeto de lei ampliando a cota de deficientes, tanto no setor privado quanto no setor público.” Vê como é mais fácil cobrar por uma proposta específica? Ou ainda, compare:

1) “Prometo lutar pelo respeito à moradia do cidadão.”
2) “Prometo trabalhar para a gradativa ampliação do horário de funcionamento do PSIU [programa de silêncio urbano da capital paulistana], para que funcione todos os dias da semana.”

Pelos sites das Assembléias Legislativas e do Congresso Nacional, também é possível acompanhar os projetos de lei em trâmite. Sempre foi relativamente fácil acompanhar o Poder Executivo, que é o que fica rotineiramente sob os holofotes. Mas e o Legislativo? Não tem nem espaço no jornal para publicar TODOS os projetos de lei propostos por TODOS os parlamentares. Nem faz sentido. Cabe a cada um fazer sua parte. Cada um que acompanhe os projetos que seu parlamentar propôs.

A internet é uma formidável ferramenta para reverter essa tendência. Pelo Twitter, você pode propagar com uma velocidade e amplitude insanas que o seu candidato bateu a porta na sua cara. Só tome cuidado, porque essa mesma força viralizante pode destruir a reputação de um bom político – e eles já são raros!

A internet facilita isso loucamente. Aproveite.

Revertamos a tendência!

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